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O cuidado que vai além de um prontuário

  • 14 de jul.
  • 2 min de leitura

A pergunta que todos fazem: Você cuida do paciente como um ente querido seu?


Para o profissional da saúde, a rotina técnica é preenchida por processos administrativos que envolvem prescrições, dosagens, exames por imagens. Já para o paciente, aquele momento representa vulnerabilidade, medo, dor física e psíquica. Enxergar além da consulta é compreender que o alívio do sofrimento exige uma competência que nenhuma inteligência artificial pode replicar: a conexão.


O manejo da dor e a promoção do conforto físico não se restringem a uso de medicações. A dor é uma experiência única e multidimensional. O estímulo doloroso muitas vezes vem acompanhado pela ansiedade, solidão e sensação de perda de controle. É aqui que a empatia e a inteligência emocional da equipe multidisciplinar tornam-se ferramentas terapêuticas tão vitais quanto um simples analgésico.


Desenvolver a inteligência emocional na saúde significa, primeiramente, reconhecer e gerenciar as próprias emoções diante do estresse. Contudo, quando o profissional consegue regular seu estado interno, ele se torna capaz de praticar a escuta ativa. Praticar a empatia não é absorver o sofrimento do outro a ponto de adoecer, mas sim validar a dor do paciente. É abaixar-se para falar na altura dos olhos, explicar o procedimento que será realizado e respeitar o tempo daquela pessoa.

O conforto físico do paciente é o reflexo direto desse olhar ampliado. Quando a equipe de saúde atua de forma integrada, o cuidado deixa de ser fragmentado. O paciente é visto como o protagonista de sua história, e não como um conjunto de órgãos disfuncionais.


Humanizar a assistência é entender que o sucesso terapêutico não se mede apenas pela cura da patologia, mas pela dignidade oferecida ao longo do processo (até porque em muitas vezes, não atingimos a cura). Ao fechar um prontuário e abrir espaço para o acolhimento, o profissional de saúde resgata a essência da sua vocação: a arte de cuidar do ser humano em sua totalidade. E desta forma, retomo à pergunta: Você cuida do paciente como um ente querido seu?


Dra. Natália Mattos

Fisioterapeuta

 
 
 

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